Por Fábio Di Renzo

Esta imagem representa um fato que aconteceu em 1937.

Em 1937, o jogo Chelsea – Charlton na época do “boxing day”, foi interrompido aos 15 minutos do segundo tempo devido ao fortíssimo nevoeiro. Entretanto, o goleiro do Charlton ficou 15 minutos a mais em campo sem ter ideia de que o jogo estava interrompido.

“Com o decorrer do jogo, cada vez via menos os meus companheiros de equipe. Até que em um certo momento do segundo tempo, um policial veio me buscar e me questionou: ‘Mas o que é que você ainda está fazendo aqui? Tem 15 minutos que o jogo foi interrompido’. Quando cheguei ao vestiário, os meus colegas já estavam de banho tomado e prontos para partir. Inevitavelmente, todos choraram de rir ao ouvir a história. Um real momento de solidão”, contou Sam Bartram.

Imaginem o sentimento do goleiro.

A história é interessante e nos faz refletir sobre nossas relações com as equipes nas quais atuamos. Seja no trabalho, em grupo sociais, em relacionamentos com amigos, familiares etc.

E quando olhamos para as empresas que trabalhamos ou no cliente que atuamos, algumas perguntas nos rodam sempre:

  • Em especial nas empresas, você já viveu momentos iguais ao do goleiro, na solidão das informações e sem comunicação?
  • Quais momentos no trabalho não fazemos iguais aos demais jogadores? Paramos com algum projeto e não avisamos aos colegas, principalmente para àquele que tem uma função importante na equipe.
     
  • Quantos líderes fazem igual ao técnico do time e esquecem de comunicar e acolher todos os integrantes da equipe?
  • Você já preparou a apresentação do novo projeto, gastou tempo e energia e na hora de apresentar para o cliente, ele disse que mudou tudo?
  • Quantas vezes você esqueceu de comentar com sua equipe da agência que determinado cliente mudou a estratégia e você precisa começar tudo de novo?

É importante destacar que a comunicação, antes de ser instrumental, é humana.

Necessitamos e precisamos de resposta, de retorno, de contato. Infelizmente, de um modo geral, é a comunicação formal e burocrática que as empresas mais utilizam no seu cotidiano. Há uma grande preocupação com a eficácia dos mecanismos de transmissão da mensagem e não, propriamente, com a reflexão e a compreensão do seu conteúdo. Dessa forma, fica difícil motivar pessoas e equipes para superar desafios e alcançar metas.

Minha experiência mostra que ao pesquisarmos o conhecimento e o entendimento real dos destinatários, sobre as informações veiculadas dentro da empresa, verificamos que o nível de desconhecimento é bem maior do que imaginamos.

Vi casos de colaboradores que desconhecem até mesmo as nomenclaturas e os objetivos dos principais projetos e processos da sua área de atuação na empresa.

A mistura de canais enfraquecidos e ultrapassados com a falta do “hábito de procurar as informações” pelo colaborador está diretamente relacionadas à cultura da empresa, que não incentiva a troca de ideias e o compartilhamento de informações entre os seus funcionários.

Nenhuma tecnologia, por mais sofisticada que seja, envolvendo todo o rigor científico, supre as deficiências no relacionamento humano, geradas muitas vezes por culturas que não privilegiam a abertura para o diálogo e a conversação.

Não adianta e-mails, intranet, whatsapp etc. Sem feedback e contato humano a comunicação é sempre precária, ineficaz e fria. O feedback é um processo que promove mudanças de atitudes, comportamentos e pensamentos. É a realimentação da comunicação a uma pessoa ou grupo, no sentido de fornecer-lhe informações sobre como sua atuação está afetando outras pessoas ou situações.

Tão importante quanto exercer funções no time, nas equipes, nas empresas, as pessoas precisam e querem ser informadas, orientadas e acolhidas por seus colegas de trabalho e por seus líderes.

Ninguém quer ser o goleiro na neblina.

Vejam, a alma das pessoas só aparece quando a neblina é dissipada. Quanto mais informações, mais luz.

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